O Nano Banana Pro é o novo modelo de IA visual do Google, construído sobre o Gemini 3, com foco em edição avançada, texto legível direto na imagem e saída em 2K/4K para uso real em produção. Ele entende luz, câmera, composição e tipografia com um nível de controle que antes dependia de horas em softwares como Photoshop — e é justamente esse controle que transforma brincadeira em ferramenta séria para inúmeras tarefas, como a restauração de pôsteres antigos de games, que é justamente o que você aprenderá neste artigo.
Restaurando posters antigos de games com o Nano Banana Pro
Enquanto a primeira geração do Nano Banana ficou popular para tarefas “rápidas”, como miniaturas e montagens casuais, o Nano Banana Pro foi desenhado para cenários em que fidelidade importa: manter a geometria de rostos, preservar logotipos e reconstruir detalhes finos sem destruir o material original. Na prática, isso significa pegar um scan ruim de revista ou uma foto torta de um pôster de locadora e transformá-lo em um arquivo de alta resolução pronto para impressão, motion ou material de exposição — com texto nítido, cores corrigidas e ruído de décadas apagado.
Para isso, entra em cena um prompt específico, que eu desenvolvi e obtive resultados excelentes. A estrutura do prompt foi pensada para que o modelo generativo: limpe, recupere e amplie, mas não “reescreva” a história daquele pôster. Mantendo-se o mais fiel possível em relação ao pôster original.
O prompt é o seguinte
Recriação visual moderna de pôster antigo de videogame. Estilo visual de fotografia digital contemporânea de alta resolução, cores vibrantes e saturadas, iluminação de alto contraste e nitidez cristalina em todo o pôster. REGRA CRÍTICA: Preservar 100% da geometria original de personagens, logos, textos e layout; apenas limpar o ruído da imagem, sem alterar, reconstruir ou maquiar os traços do design original. Caso a imagem esteja com artefatos, imperfeições do papel ou desgaste natural, conserte isso.
A força desse comando não está em frases bonitas, e sim na estrutura. Ele segue a mesma lógica recomendada do guia de prompt do ecossistema do Nano Banana Pro que comentamos neste artigo. começar pela intenção, descrever o estilo, impor restrições claras e só então detalhar as correções desejadas.
Intenção da tarefa
“Recriação visual moderna de pôster antigo de videogame.”
Aqui você informa ao modelo que não é para inventar uma cena nova, mas atualizar visualmente algo que já existe. Em restauração de pôsteres, isso define que composição, personagens e tipografia devem ser preservados.
Estilo visual e tratamento de imagem
“Estilo visual de fotografia digital contemporânea de alta resolução, cores vibrantes e saturadas, iluminação de alto contraste e nitidez cristalina em todo o pôster.”
Esse trecho define o “look” final: nitidez, contraste e cor de imagem atual, pensada para monitor 4K ou impressão, e não o aspecto lavado de um scan de revista. Em termos de modelo, isso empurra o Nano Banana Pro para um resultado com textura limpa, detalhe fino e leitura clara de personagens e textos.
Regra crítica de preservação
“REGRA CRÍTICA: Preservar 100% da geometria original de personagens, logos, textos e layout; apenas limpar o ruído da imagem, sem alterar, reconstruir ou maquiar os traços do design original.”
Aqui você puxa o freio de mão da criatividade. Em vez de deixar o modelo “modernizar” o pôster, o comando o obriga a entrar em modo de restauração e conservação. A IA está autorizada a limpar, não a redesenhar mascotes, tipografia ou composição.
Correção de defeitos físicos
“Caso a imagem esteja com artefatos, imperfeições do papel ou desgaste natural, conserte isso”
Esse fechamento foca no suporte físico: rasgos, manchas, mofo, ruído de compressão, dobras e textura degradada. A mensagem para o modelo é clara: atacar os problemas do papel e da digitalização, preservando o conteúdo gráfico como ele era.
Como fazer essa restauração?
O fluxo básico para restaurar pôsteres é simples: você escolhe uma boa imagem de referência, sobe o arquivo para o Nano Banana Pro e aplica o prompt de restauração ajustado que vimos acima. A lógica é sempre a mesma usada nos exemplos deste artigo: tratar o pôster original como peça intocável em termos de layout e personagens, pedindo à IA apenas limpeza, correção de defeitos físicos e aumento de resolução.
O Nano Banana Pro está disponível para todo mundo no aplicativo Gemini para Android e iOS, além da versão web no navegador. Para usar no dia a dia, o caminho é: abrir o Gemini, tocar em “Criar imagem” e selecionar o modo “Raciocínio”, que ativa o Gemini 3 Pro com o Nano Banana Pro como backend de imagem. Esse acesso é gratuito, mas funciona em regime de cotas: depois de um certo volume diário de geração/edição, o sistema faz fallback automático para um modelo padrão menos potente, o que impacta a qualidade de texto, consistência e upscaling.
Quem pretende tocar projetos maiores de restauração — como catalogar vários pôsteres, capas de revistas ou materiais para um canal de YouTube — tende a depender de uso contínuo. Nesses casos, o acesso ilimitado vem via assinatura do Google One: o plano Google AI Plus custa R$ 24,99/mês (com promoção de lançamento a R$ 12,50 nos primeiros 6 meses) e inclui 200 GB de armazenamento, enquanto o Google AI Premium oferece 2 TB e integração completa com o Workspace por R$ 96,99/mês. Desenvolvedores, também podem integrar o fluxo de restauração diretamente em apps e pipelines via API, usando o Google AI Studio ou o Vertex AI.
Atenção para salvar na qualidade máxima!
Para preservar todo o detalhe da restauração, o jeito de salvar a imagem faz diferença. Dentro da interface do Nano Banana Pro, não use o “Salvar imagem como…” do clique com o botão direito, porque essa é numa versão reduzida, otimizada só para exibição na tela. Isso derruba a resolução e gerar arquivos que não aguentam ampliação ou impressão sem perder nitidez.
O caminho correto é sempre usar o ícone nativo de download do modelo, que indica o download no tamanho original.
Ao clicar ali, você baixa o arquivo na resolução máxima que o Nano Banana Pro produziu para aquele pôster, preservando todo o upscaling, o texto legível e os detalhes finos que a restauração trouxe — exatamente o que interessa para quem quer imprimir, fazer zoom em vídeo ou arquivar esse material como acervo digital.
Agora vamos agora aos exemplos:
E.T. the Extra-Terrestrial (Atari 2600)
Lançado em 1982 para o Atari 2600, E.T. the Extra-Terrestrial é frequentemente citado como um dos piores jogos já feitos e um símbolo da pressa da indústria para aproveitar o sucesso do filme de Spielberg. Desenvolvido praticamente em cinco semanas para chegar às lojas no Natal, o jogo saiu confuso, mal explicado e frustrante para boa parte do público, gerando um volume massivo de devoluções e encalhe em estoque.
O fracasso comercial de E.T. ajudou a agravar a crise do mercado norte‑americano de videogames em 1983, quando fabricantes e lojas ficaram abarrotados de cartuchos que ninguém queria, episódio que ficou conhecido como o “crash de 1983”. A lenda de que milhares de cópias encalhadas teriam sido enterradas em um lixão no deserto do Novo México foi confirmada em 2014, quando uma escavação encontrou cartuchos de E.T. e outros títulos da Atari no local, transformando esse pôster que você vê restaurado em um ícone de uma das maiores viradas de bastidor da história dos games.
Power Glove
Lançada em 1989, a Power Glove foi o acessório da Nintendo que prometia transformar o jogador em protagonista do jogo, usando movimentos da mão para controlar o NES — uma ideia tão poderosa que virou peça central do filme The Wizard (1989), conhecido no Brasil como O Gênio do Videogame. No longa, o personagem Lucas usa a luva como símbolo máximo de status gamer, numa das cenas mais icônicas da cultura pop dos anos 80, o que ajudou a gravar a imagem do produto na memória de toda uma geração.
Na prática, porém, a Power Glove ficou famosa por motivos menos glamourosos: detecção de movimento imprecisa, calibração complicada, poucos jogos realmente compatíveis e uma curva de uso que mais frustrava do que impressionava.
O resultado foi clássico de marketing de época: o pôster e os comerciais venderam um futuro de “controle absoluto” que o hardware não conseguia entregar, transformando a Power Glove em um dos acessórios mais queridos visualmente, mas também mais criticados em termos de jogabilidade — justamente o tipo de peça que vale ser restaurada em alta resolução, porque o mito publicitário sobreviveu muito mais forte que o produto em si.
Mini Game do Chaves (TecToy)
Nos anos 90, os mini‑games de LCD viraram febre no Brasil, ocupando bancas de jornal, vitrines de loja de brinquedo e até gôndolas de supermercado, com jogos simples que consumiam pilhas e recreios inteiros. Havia versões de temas genéricos (carros, futebol, nave espacial), de grandes franquias de games e, no caso da TecToy, adaptações licenciadas que falavam diretamente com o público brasileiro, como esse Mini Game do Chaves.
A TecToy, que já era querida por trazer o Master System, Mega Drive e adaptações localizadas de jogos para o Brasil, usou o carisma do personagem e o bordão “você vai querer‑querendo” para transformar um eletrônico simples em objeto de desejo infantil. O anúncio restaurado captura bem essa fase: o dispositivo em destaque, o layout limpo de revista e a promessa de “20 níveis” que, para a criança da época, soava tão grandioso.
Atari VR (Atari 2600 VR Headset)
Muito antes de Oculus, Quest e PS VR, a Atari já vendia a promessa de um “novo mundo” em realidade virtual com o Atari 2600 VR Headset, conceito que apareceu em anúncios e protótipos no fim dos anos 80/início dos 90. A ideia era simples e ambiciosa: transformar o console clássico em porta de entrada para jogos em 3D estereoscópico, com o jogador “vestindo” o videogame na cabeça, algo que para a época soava quase ficção científica.
Na prática, o projeto nunca se consolidou como um produto de massa — a limitação técnica do Atari 2600, o custo de hardware e a falta de um catálogo robusto de jogos em VR fizeram o conceito ficar mais famoso na publicidade e em feiras do que na sala de estar das pessoas. Justamente por isso, o pôster restaurado tem tanto valor histórico: ele registra uma versão precoce do sonho da realidade virtual, com um visual exagerado e otimista que antecipa, décadas antes, o tipo de marketing que hoje cerca qualquer novo headset — mas com a estética inconfundível da era Atari.
PlayStation 2 – “Wherever, Whenever, Forever”
A campanha do PlayStation 2 ficou marcada por apostar em um tipo de publicidade que fugia totalmente do óbvio: em vez de mostrar console, controle e “família feliz na sala”, a Sony investiu em peças quase surreais, muitas vezes desconfortáveis, assinadas por grandes agências europeias. Esse pôster, com a modelo presa por fios e o slogan minimalista, é um retrato claro dessa fase em que o PS2 era vendido mais como um objeto de culto tecnológico do que como simples videogame.
Perturbador: relembre as icônicas e bizarras publicidades do PlayStation 2
Na época, várias dessas campanhas geraram polêmica por conta da carga simbólica pesada e da estética estranha, mas também ajudaram a fixar o PS2 como o console “adulto”, diferente de tudo o que existia no mercado.
Em termos de resultado, esse foi o pôster que mais me impressionou em relação ao gancho de detalhes que o Nano Banana Pro conseguiu entregar: poros, textura da pele, brilhos e microdefeitos voltam à tona em alta resolução, algo que se perde completamente nos scans lavados que circulam pela internet.
Twisted Metal 4
Lançado em 1999 para o PS1, Twisted Metal 4 levou ao extremo a estética “circo do horror” da série, com o palhaço Sweet Tooth como ícone absoluto da franquia. O pôster restaurado traduz bem esse clima: a van incendiada, os palhaços espalhados pelo cenário e o reflexo no chão molhado formam uma cena caótica, quase de set de cinema, que ajuda a comunicar o espírito de combate veicular insano do jogo.
Do ponto de vista técnico, esse é um dos casos mais desafiadores para o Nano Banana Pro. Há múltiplos personagens, texturas diferentes (metal, fumaça, água, roupa, pneu), detalhes pequenos nos quadros de gameplay e uma grande área de sombra que, em scans antigos, costuma virar um bloco de ruído. A restauração em alta resolução permite ver melhor a direção de arte prática da sessão de fotos — com cenografia física real, não CGI — e mostra como a IA consegue limpar o pôster sem perder o ar sujo e industrial que faz parte da identidade de Twisted Metal.
Você provavelmente pode apontar que o resultado não é perfeito em todos os casos, mas a proposta é justamente essa, mostrar os acertos e limitações do modelo, mas utilizar um prompt que funcione para alcançar resultados bem satisfatórios. O que achou dos resultados? Comente abaixo.















