Fim da linha para o ‘mod de aluguel’: CD Projekt Red derruba projeto que exigia assinatura mensal

Resumo rápido!

A CD Projekt Red emitiu notificação DMCA contra o mod de realidade virtual R.E.A.L. VR criado por Luke Ross, que cobrava US$ 10 mensais no Patreon. A empresa ofereceu parceria oficial ou liberação gratuita; o desenvolvedor recusou. O caso repete o conflito com a Take-Two em 2022 e expõe o impasse econômico entre publicadoras e criadores independentes que monetizam propriedade intelectual alheia.


 

A CD Projekt Red confirmou oficialmente a remoção forçada do mod de realidade virtual para Cyberpunk 2077, desenvolvido pelo italiano Luke Ross. A notificação foi enviada em 17 de janeiro, três dias após a empresa entrar em contato direto com o criador solicitando que ele tornasse o projeto gratuito ou o removesse do ar. Ross mantinha o mod disponível apenas para assinantes pagantes de seu Patreon, ao custo de US$ 10 mensais — modelo que, segundo a CDPR, viola diretamente suas diretrizes de conteúdo criado por fãs.

 

Jan Rosner, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da CDPR, publicou declaração no X esclarecendo a posição da empresa: “Nós celebramos mods criados por usuários, mas o Luke estava vendendo o mod por meio de seu Patreon. Isso viola nossas diretrizes de conteúdo de fãs, que proíbem monetização de nossa propriedade intelectual sem permissão explícita.” Rosner revelou ainda que a CDPR propôs, tanto em 2022 quanto na semana anterior à remoção, tornar o mod oficial ou ao menos sancionado pela empresa — proposta ignorada por Ross.

A defesa do criador: “não é trabalho derivado”

O desenvolvedor respondeu em seu Patreon com uma publicação intitulada “Mais um morde a poeira”, na qual critica o que chama de “lógica corporativa inflexível”. Ross argumenta que seu sistema R.E.A.L. VR não constitui “trabalho derivado” da propriedade intelectual da CDPR, já que apenas permite visualização 3D imersiva sem reutilizar recursos visuais dos jogos. Ele acusa as desenvolvedoras de esperarem que criadores de mods trabalhem de graça enquanto as empresas lucram com vendas extras geradas pelas modificações.

O negócio de US$ 20 mil mensais

Segundo algumas informações, Ross faturava US$ 20 mil mensais com seus mods de VR no Patreon. Ross alega que dedicou anos de trabalho atualizando o mod de Cyberpunk 2077 apesar de constantes atualizações da CDPR que quebravam a compatibilidade, o que exigia retrabalho técnico recorrente.

Essa não é a primeira vez que Ross enfrenta ação legal. Em julho de 2022, a Take-Two Interactive (controladora da Rockstar Games) emitiu notificações DMCA contra seus mods de VR para Grand Theft Auto V e Red Dead Redemption 2, usando argumentos idênticos aos da CDPR: monetização não autorizada de propriedade intelectual. A diferença é que a Take-Two nunca ofereceu parceria oficial — apenas exigiu remoção imediata.

Como funciona o sistema R.E.A.L. VR

O sistema R.E.A.L. VR desenvolvido por Ross funciona injetando suporte a óculos de realidade virtual em jogos que rodam nativamente em primeira pessoa, aproveitando a estrutura de câmera já existente no código original. Ross afirma que o método não clona recursos gráficos nem altera o executável do jogo de forma permanente, o que, em sua visão, deveria isentá-lo de violação de direitos autorais

Baldur’s Gate 3: o próximo alvo

Horas após a remoção do mod de Cyberpunk 2077, Ross anunciou no Patreon o lançamento de uma nova modificação de VR para Baldur’s Gate 3, também restrita aos assinantes pagantes de US$ 10 mensais. A Larian Studios, desenvolvedora do jogo, ainda não se pronunciou sobre o projeto. Ross deixou a porta aberta para negociação com a CDPR, afirmando buscar uma “solução que beneficie ambos os lados e permita aos fãs continuarem aproveitando Night City em realidade virtual”.

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