Governo britânico vai investigar demissões na Rockstar após acusações de perseguição sindical

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta quarta-feira (10) que ministros do governo vão examinar as demissões de 31 funcionários da Rockstar Games ocorridas em outubro. A declaração veio após pressão no parlamento e relatos de que todos os demitidos faziam parte de um grupo privado no Discord ligado à organização sindical.

A Rockstar alega que os trabalhadores cometeram “má conduta grave” ao compartilhar informações confidenciais da empresa. Mas os 31 demitidos tinham algo em comum: eram membros do Independent Workers’ Union of Great Britain (IWGB) e participavam de conversas sobre sindicalização em um canal fechado. Para o sindicato, o caso é “o ato mais flagrante e implacável de repressão sindical na história da indústria de games”.

Deputado questiona conduta da Rockstar

Rockstar Games GTA Processada Demissoes Sindicato 912x569 1

Chris Murray, deputado trabalhista que representa Edimburgo — onde fica o estúdio Rockstar North —, levou o assunto ao parlamento depois de se reunir com representantes da empresa. O encontro não foi tranquilo: a Rockstar inicialmente exigiu que os parlamentares assinassem um acordo de confidencialidade para entrar no prédio, voltando atrás apenas após Murray deixar claro que não assinaria.

Murray disse ao parlamento que saiu da reunião ainda mais preocupado. “Não fiquei convencido de que o processo seguiu rigorosamente a lei trabalhista do Reino Unido e, de forma alarmante, não me informaram exatamente o que essas 31 pessoas fizeram para justificar a demissão imediata”, afirmou. Questionado por Murray sobre se todas as empresas devem respeitar a lei trabalhista e o direito à sindicalização, Starmer respondeu que o caso é “profundamente preocupante” e que ministros vão investigar.

Protestos e ações judiciais

Em novembro, o IWGB entrou com ações legais contra a Rockstar depois que a empresa se recusou a negociar. A equipe jurídica do sindicato afirma que as demissões configuram “vitimização e perseguição ligadas a atividades sindicais” e que espaços privados como servidores do Discord têm proteções legais que contratos empresariais não podem sobrepor.

Mais de 200 funcionários da Rockstar North assinaram uma carta aberta condenando as demissões e pedindo a reintegração dos colegas. Trabalhadores e apoiadores organizaram protestos em frente à sede da empresa em Edimburgo, além de atos em Paris, Londres e Nova York.

A indústria de games já enfrenta críticas há anos por condições de trabalho precárias, jornadas exaustivas e demissões em massa mesmo em períodos de lucro recorde. O IWGB argumenta que a única forma de combater essa insegurança é através da organização coletiva dos trabalhadores. Se as acusações contra a Rockstar se confirmarem, o caso pode marcar um ponto de virada sobre até onde empregadores podem ir para evitar a sindicalização.

Rolar para cima