Ángel Acuña não junta videogames como hobby casual. Ele literalmente vive cercado por eles. São 21 mil títulos catalogados, a maior coleção conhecida na Europa, acumulada ao longo de quase duas décadas de garimpagem, negociações e — vamos combinar — muito espaço físico disponível.
Acuña mantém salas inteiras dedicadas ao acervo. Dentro dele: quase 1.750 jogos de PS3 e 3.500 de PS2, todos listados em planilhas de Excel com o rigor de quem gerencia inventário de empresa. Porque, no fim das contas, é exatamente isso que virou.
Colecionar é trabalho, não romantismo
O colecionismo de videogames costuma ser vendido como paixão pura. E é, até você precisar pagar aluguel. Acuña conta em entrevista ao site Meristation que já teve que vender parte do acervo em momentos de aperto financeiro. Não por falta de amor pelos jogos, mas porque manter 21 mil itens organizados, protegidos e atualizados custa dinheiro. Muito dinheiro.
A vantagem é que ele não vende para qualquer um. Faz parte de um círculo fechado de colecionadores europeus que estão sempre de olho em peças raras. Quando ele oferece algo, a negociação costuma ser rápida. O mercado secundário de jogos antigos funciona assim: poucos vendedores sérios, muitos compradores dispostos a pagar caro.
O manual que vale mais que um console novo
Aqui fica interessante. Quando perguntado sobre o item mais valioso da coleção, Acuña não citou um jogo completo. Citou um manual.
Especificamente: o livreto de instruções do Metal Slug para Neo Geo. Segundo ele, colecionadores já pagaram até 2 mil euros — cerca de R$ 12 mil na cotação atual — só por essa peça de papel. Não o cartucho. Não a caixa. O manual!
O Neo Geo, aliás, é considerado o Santo Graal entre colecionadores. Foi um console caro e nichado nos anos 90, com tiragens limitadas e preços absurdos mesmo na época. Hoje, qualquer coisa relacionada a ele é tratada como investimento de alto risco e retorno ainda maior.
Gerenciamento rigoroso
Tem gente que coleciona por pura nostalgia. Acuña coleciona por paixão, mas gerencia como profissional. Ele sabe exatamente quantos jogos tem, onde estão, qual o estado de cada um e, provavelmente, quanto vale cada peça no mercado atual.
Não é uma coleção de prateleira pra impressionar visita. É um acervo sério, que exige dedicação diária, controle obsessivo e disposição pra lidar com o lado menos glamouroso da coisa: limpeza, catalogação, proteção contra umidade, negociação com vendedores mal-intencionados.
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